DOM JOÃO PEDRO CARDEAL OLIVEIRA, OFM.Cap
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
ARCEBISPO DE APARECIDA
A todos os que leram, saudações e bençãos no Senhor.
Uma das grandes funções de um arcebispo é o zelo pela comunidade, pelo clero e pelo povo de Deus. Cabe a ele a missão de conduzir, orientar e cuidar, sempre com espírito de serviço e amor, imitando o Cristo Bom Pastor. O pastoreio exige entrega, renúncia, oração constante e uma escuta atenta aos sinais de Deus e às necessidades do povo.
Quando fui nomeado para esta missão, durante a abertura do Ano Jubilar “Peregrinos da Esperança”, meu coração se encheu de alegria, esperança e gratidão. Voltar pela segunda vez à querida Arquidiocese da Mãe Aparecida foi, sem dúvida, um presente da Providência. Reviver esta caminhada, agora em outra etapa da minha vida, trouxe-me inúmeros aprendizados, desafios e, sobretudo, a confirmação de que Deus nunca nos abandona quando aceitamos, com generosidade, os desígnios de sua vontade.
Foram meses intensos. Momentos de profunda alegria, de encontros marcantes com o povo, com os sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e leigos comprometidos com a missão da Igreja. Mas, também, não nego que enfrentei períodos de estresse, desafios internos e externos, que me fizeram crescer e amadurecer ainda mais na fé e no serviço. Tudo isso, no entanto, não diminui a beleza desta missão, que carrego com amor e gratidão. Pelo contrário, fortalece a convicção de que ser pastor é abraçar a cruz, com a esperança da ressurreição.
Tive a imensa graça de contar, nesta caminhada, com a presença fraterna, amiga e zelosa de Dom Kauã Davi, OFM.Cap, que assumiu comigo essa missão, primeiro como meu bispo auxiliar e agora como coadjutor. Homem de Deus, de caráter firme, humilde e cheio de zelo pastoral, a quem expresso minha mais sincera gratidão e reconhecimento. Servir ao lado dele foi um presente e um aprendizado constante.
Hoje, com o coração apertado, mas em paz com a vontade de Deus, comunico que minha passagem por Aparecida parece se encaminhar para seu encerramento. Não foi uma decisão fácil. Pelo contrário, foi fruto de muita oração, discernimento, escuta espiritual e diálogo com minha consciência e com aqueles que me acompanham na vida eclesial. Com tristeza, mas também com serenidade, peço meu desligamento da Arquidiocese, confiando que os caminhos do Senhor são sempre maiores que os nossos.
Ficarei, a partir de agora, residente em Roma, onde zelarei pela minha sede cardinalícia vacante até que Sua Santidade, o Papa João Paulo I, me confie uma nova missão a serviço da Igreja. Que este tempo de recolhimento e serviço, ainda que fora de uma Diocese, seja para mim um momento fecundo de amadurecimento na fé, de aprofundamento espiritual, de discernimento dos desígnios de Deus e de disponibilidade para o que Ele quiser de mim.
Por fim, anuncio que, em breve, comunicarei a data da minha celebração de despedida da Arquidiocese de Aparecida, para que possamos, juntos, elevar a Deus nosso louvor e nossa gratidão por tudo o que vivemos, construímos e semeamos neste tempo. Que a Mãe Aparecida continue intercedendo por mim, por esta Igreja tão querida e por todos os filhos e filhas que aqui vivem, trabalham e testemunham a fé.
Como vacante poderei dar atenção aos meus dicastérios confiados a mim, que tudo seja feita pela vontade de Deus. Sua providência me faz caminhar.
Que Deus abençoe a todos. Continuemos peregrinos da esperança, caminhando na luz do Senhor.


